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Aumento de ataques aos terreiros e às religiões de matriz africana

Quinta-feira, 26 de outubro de 2017 - 23h30min

<br>Fonte: Carta Capital

Os casos de violência e agressão contra templos e seguidores de religiões de matriz africana têm aumentado de forma assustadora em todo o Brasil.

Este ano, só no Rio de Janeiro, estado que historicamente apresenta o maior número de registros de intolerância religiosa no país, foram contabilizados, até o final de setembro, pelo menos 79 ataques contra terreiros ou adeptos de religiões de matriz africana, sendo 39 apenas nos últimos três meses.

Esse número é exatamente o mesmo do que o total de casos de denúncias registradas no Disque 100 do Governo Federal, no mesmo estado, em todo o ano de 2016. Entretanto, há um agravante nessa estatística. As 79 denúncias do ano passado englobam casos de intolerância contra qualquer religião, não apenas as de matrizes africana, apontando a tendência crescimento da violência contra nossos terreiros.

Há poucas semanas, terreiros de candomblé em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, foram alvejados. Em vídeo gravado pelos próprios criminosos, com grande repercussão nas redes sociais, uma mãe de santo aparece sendo intimidada pelos invasores, que a obrigam a quebrar objetos litúrgicos e imagens de santos do terreiro.

O show de horrores é acompanhado por ameaças dos marginais, que entoam “o sangue de Jesus tem poder”, “da próxima vez eu mato”, “safadeza!”, entre outros.

Entretanto, no Brasil, a intolerância religiosa não tem fronteiras estaduais. Em São Paulo, também neste ano, foram registrados 27 atos de violência contra templos e frequentadores de cultos de matriz africana, sendo oito nas últimas três semanas. Isso significa que, em média, nas últimas três semanas, a cada dois dias e meio houve um ato desse tipo de agressão em São Paulo.

Cartazes com dizeres neonazistas e xenófobos foram espalhados pelo município de Blumenau-SC, a poucas semanas do início da Oktoberfest, maior festa da colônia alemã no Brasil, que acontece na cidade catarinense.

Nas redes sociais, internautas denunciam as ameaças que constam nos cartazes: “Negro, comunista, antifa e macumbeiro. Estamos de olho em você”.

Em termos gerais, os dados do Disque 100 revelam que, em 2016, foram registradas 776 ocorrências de intolerância religiosa em todo país, um aumento de 36,5 por cento em relação ao ano anterior. De 2014 para 2015, a situação foi ainda mais dramática. Os relatos passaram de 149 para 556, um crescimento de 273,1 por cento.

Se considerarmos toda a série histórica, a situação fica ainda mais apavorante.

Verifica-se uma explosão de denúncias de intolerância religiosa, que passaram de apenas 15 casos em 2011 para os já mencionados 776 em 2016. E por mais que alguns setores conservadores da sociedade tentem desqualificar a questão, as religiões de matriz africana são indubitavelmente as principais vítimas desses ataques.

Na maioria das vezes (25,9 por cento), os agressores são identificados como brancos e as situações de intolerância ocorrem predominantemente dentro das próprias casas (33,9 por cento) e na rua (14,33 por cento).

O perfil das vítimas aponta que os praticantes de umbanda e candomblé, somados aos que se identificam como adeptos de religiões de matriz africana diversas, são os alvos preferenciais dessa intolerância. Juntos, respondem por quase 25 por cento das denúncias.

Isso em um país no qual essas religiões possuem algo em torno de 3,1 milhões de adeptos (1,6 por cento da população), de acordo com o último censo demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010.

Os cerca de 123 milhões de católicos (64,6 por cento dos brasileiros) relataram 1,8 por cento dos casos de intolerância religiosa. Os protestantes, que somam 42,3 milhões de fiéis (22,2 por cento da população), respondem por aproximadamente 3,8 por cento dos registros de agressão.

Uma correta análise sobre essa alarmante realidade não deve se restringir ao simples avanço das forças conservadoras e obscurantistas em todo o mundo.

No caso do Brasil passa, necessariamente, pelo resgate de um passado colonial e escravagista que permeia, até os dias de hoje, a nossa cultura.

Fonte: Carta Capital

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