Em nosso tempo, o amor à natureza nos parece algo distinto da vida espiritual interior. De certa forma, existe realmente uma “dependência positiva” entre homem e natureza porque a própria distinção entre ambos não faz sentido. É uma das muitas ilusões racionalistas do mundo contemporâneo. Homem e natureza são uma coisa só. Mas, para a vivência profunda desta integração, é preciso alguma espiritualidade.

ECOLOGIA

Quando o homo sapiens resolveu priorizar a agricultura ao invés da caça, da pesca e da coleta, ele entrou em um longo processo que o conduziu a um relacionamento planificador da natureza. Por outro lado, é preciso fé na colheita para acreditar que plantando sementes hoje, o grupo não estará morto de fome na próxima estação. O advento da agricultura gerou muitas deusas e deuses relativos a esta fertilidade “mágica”.

TERRA SAGRADA

A sacralização da terra ocorre em vários aspectos do imaginário. Um deles, é relacionado com a agricultura. Há outros, porém, geralmente anteriores em termos históricos, ligados às matas, aos rios, aos oceanos etc. Outros, ainda, se relacionam com o céu e com os astros celestes. A terra, porém, tem uma relação sublime com a condição humana, pois ela é feminina, uterina, mãe das plantações e das raízes, pedras e animais, por exemplo.

DÁDIVA DA MÃE

No Imaginário profundo da humanidade, sem o qual o sapiens não pode se equilibrar simbolicamente para sobreviver, a t(T)erra é mãe generosa. Dela provém a vida no alimento, tanto vegetal quanto animal. Ela também é o caminho das águas. Sendo assim, por que o nosso planeta está tão degradado e até correndo o risco de se tornar inapropriado para a vida humana?

DO USO AO ABUSO

Muitas culturas e grupos sociais são fartos em exemplos de como conviver harmonicamente com o planeta Terra. Infelizmente, este não é o caso das sociedades capitalistas contemporâneas. E… ao contrário do que se pensa normalmente, a propriedade privada da terra não provém no primeiro homem que cercou um pedaço de chão se dizendo dono dele. Propriedade privada como a conhecemos hoje é uma invenção do capitalismo moderno. Somente com as diversas espiritualidades possíveis, é viável recuperar a Esperança de que a ganância dela não destrua a Vida.

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