Recentemente, participando de um dos principais podcast da Paraíba, o Mangaba Cast, um dos comunicadores repercutiu uma pergunta do público para que eu falasse sobre a história da Sexta-feira Santa. Em datas religiosas como a Quaresma, a palavra do historiador pode ser muito dura para o coração de quem crê. No entanto, a História das Religiões é prima irmã das Ciências das Religiões e conta com a História do Imaginário para acessar o Fenômeno Religioso de forma laica e científica.

A CRUZ NA HISTÓRIA

A história carrega uma cruz pesada. A relação entre o notório tempo histórico e o profundo tempo mítico é constantemente negada por racionalistas desesperados pela manutenção de uma hegemonia que, na verdade, reafirma a dominação disciplinadora típica do capitalismo moderno. O estudo do Imaginário é libertador! No caso da Páscoa, a trave vertical da Cruz, representante do tempo mítico ou tempo de Deus, cruza-se com a trave horizontal do tempo histórico ou tempo do homem no ponto crucial do seu significado para a cultura ocidental….

O EUFEMISMO DA HISTÓRIA

A ciência histórica é um dos eufemismos mais eficientes e refinados que o homo sapiens criou para conviver heroicamente com a finitude da vida. Este eufemismo permite o acalanto e a Esperança nestes tempos de contemporaneidade tardia que sucedem a “morte” de Deus. A cruz cristã é o grande símbolo da História no modo como ela é concebida no Ocidente. Como o cristianismo só tem sentido se vivenciado na história como fez o filho crucificado de Deus, a narrativa mítica da Semana Santa é a fundadora profunda e inconsciente da sistematização desta intuição imemorial da história que nos move para a vida.

PSIQUE NA SEMANA SANTA

Pensando ainda cientificamente, a condição do Rabi Jesus transformado em prisioneiro político, torturado violentamente e crucificado impiedosamente, ou seja, tornando-se O Cristo, é a imagem profunda do sofrimento psíquico do sapiens. Uma vez na cruz, Jesus Cristo representa a própria natureza do sapiens, sua fragilidade imensa diante da morte consciente e seu desespero por encontrar uma razão para viver. Neste sentido é que Jesus é um revolucionário da história, mas também do coração.

RESSURREIÇÃO

Quando renasce ao terceiro dia e segue para viver ao lado do Pai, Jesus Cristo é a própria imagem profunda e regeneradora do homem que busca em si mesmo esta intrigante Persona da Alma chamada Esperança. A Esperança foi posta no lugar mais difícil de ser acessado. Ela não está no alto do cume mais elevado da Terra ou no fundo mais profundo dos oceanos. Ela está no coração dos homens, onde só pode ser vista e sentida se nós a procurarmos via Trajeto da Alma, como indicou Carl Jung. Esta ressurreição vale para todxs nós!

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