O Imaginário da bruxa se consolidou na Idade Moderna na Europa. As curandeiras de aldeia, que depois receberiam a alcunha de bruxas, já existiam imemorialmente e conviviam com o cristianismo há muito tempo, enfrentando níveis de tensão variáveis e muitas perseguições regionais. A chamada grande caça às bruxas ocorreu, por incrível que pareça, nos séculos do Renascimento Cultural (16), do empirismo científico (17) e da Ilustração Iluminista (18). Mas,…. por que? Foi da ascensão do racionalismo que se estimulou a intolerância.

CAÇA ÀS BRUXAS

Não se tem consenso sobre quando e onde começou a perseguição sistemática na Europa. A acusação de bruxaria já existia antes, mas foi aperfeiçoada e empregada pelos tribunais inquisitoriais modernos, que funcionavam sob diferentes comandos: Roma, Espanha e Portugal. A explosão de casos e processos está historicamente vinculada à consolidação do capitalismo moderno, modelo econômico racionalizador que conseguiu transformar o lucro em algo “moralmente correto”.

ÓDIO ÀS MULHERES

O capitalismo moderno precisa dominar a mente das pessoas e disciplinar os corpos delas para poder prosperar conforme suas próprias regras… O cotidiano precisa ser racionalmente organizado. A maior contestação que o disciplinamento enfrenta é a liberdade da mulher. Já na Idade Média, havia surgido a Demonologia, que é um conjunto de ideias religiosas que incluem a misoginia, ou seja, a imputação de um julgamento prévio de uma pretensa natureza má do feminino. A obra demonológica mais conhecida é O Martelo das Feiticeiras.

ECONOMIA E PECADO

O principal controle corporal que o capitalismo exerce é aquele que vincula o indivíduo pelo nascimento a uma unidade que carrega o direito à herança de propriedades. Neste contexto, a mulher, enquanto mãe potencial, precisa ser controlada, diz a mentalidade clerical daquela época. É da mulher que nascem os herdeiros e os guerreiros. O núcleo social familiar passa a ser instrumentalizado, ele mesmo, como um importante ator econômico. Caracterizar algumas funções femininas como pecado e inventar acusações, tornou-se uma consequência natural para o hiper disciplinamento.

“A CULPA É DA MULHER”

Se em antigos folhetins a culpa é sempre do mordomo, na caça às bruxas, a culpa é sempre da mulher. A caça às bruxas é ou foi a radicalização da misoginia, pois muitos outros castigos misóginos estão, em níveis aparentemente menos cruéis, disponíveis no arsenal do patriarcado. Como romper a mentalidade que ficou daqueles séculos para cá? Em 8 de março de 1917, operárias socialistas russas responderam com seus corpos. Elas organizaram uma marcha de mulheres para protestar contra as condições de vida. Operários homens foram aderindo à marcha, que seria um dos marcos da Revolução Socialista de 1917. Surgia o Dia Internacional da Mulher!

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