Existe um toque de patriarcalismo no termo debutante, possivelmente. Mesmo assim, quando usada para definir os 15 anos de institucionalização de uma área acadêmica numa universidade pública federal, a palavra ganha outro sentido. Estou referindo-me aos 15 anos de funcionamento da Área de Ciências das Religiões na UFPB. Uma luta até aqui vitoriosa e que bem merece ser avaliada como um caminho em construção permanente. É inconcebível que a ciência não se debruce especialmente sobre as religiões num mundo contemporâneo onde as religiões apresentam cada vez maior e mais complexa influência.

ANTECEDENTES

Os influxos das Ciências das Religiões foram chegando até a UFPB em um processo inicialmente lento, mas que firmou uma esperança consistente. O canadense Jacques Pierre e o campinense Antônio Carlos Magalhães Melo são dois exemplos de pesquisadores que passaram pela UFPB sugerindo estudos na área ainda no início dos anos 90. Naquela época, com ou sem a influência direta deles e de outros colegas, o cenário acadêmico da Universidade já possuía ações de Estudos das Religiões em Ciências Sociais, História, Literatura e Saúde, pelo menos.

A CONFLUÊNCIA

Em eventos, bancas e disciplinas de graduação e de pós-graduação, os profissionais envolvidos em tais estudos na mesma universidade, encontrávamos e debatíamos… Trocávamos ideias e conceitos uns com os outros. Dentre os eventos, os Ciclos de Estudos do Imaginário realizados pela professora Daniele Pitta no Recife (Fundaj e UFPE), eram um constante ponto de encontro. Aliás, dedico este pequeno artigo à memória da professora Beliza Áurea de Arruda Mello, uma das primeiras pessoas interessadas na sistematização dos Estudos das Religiões na UFPB.

O TRIO ESPERANÇA

Após uma longa e rica trajetória de diversos pesquisadores e professores em suas respectivas áreas, a professora Neide Miele, do DCS, nos articulou e nos coordenou na busca da formação de uma pós-graduação em Ciências Religiões na UFPB. O professor Severino Celestino, do Centro de Saúde, a professora Neide e eu próprio, passamos a nos reunir para sistematizar um projeto e articular apoios nos conselhos e nos departamentos. Foi um tempo de luta e de desafios! Celestino nos denominou “o trio esperança”, pois enfrentamos forte ceticismo. Nesta articulação, somos muuuuitos os fundadores da Área e não há espaço para nominá-los aqui.

A FUNDAÇÃO

Em 2006, afinal, o sistema CAPES CNPQ autorizou o funcionamento da nova pós-graduação. Numa reunião histórica realizada em espaço do CCS do laboratório de homeopatia da professora Berta Kluppel, também fundadora, o então coordenador nacional da área, o teólogo jesuíta Marcelo Perinni, ouviu atentamente nossas argumentações feitas principalmente a partir da Teoria Geral do Imaginário de Gilbert Durand. Dali, nasceu a definição que autorizaria o início institucional das Ciências das Religiões na UFPB. Vencemos os que pensavam que se tratava de proselitismo religioso e nos congratulamos com aqueles – a maioria! – que compreenderam o sentido científico desta área indispensável.

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