Diante do desafio perene de conviver com a impermanência que a morte nos provoca, dois caminhos se sobressaem em nosso tempo. Em um deles, a vida nesta Terra é única e finita. Depois dela, virá um destino final. No outro caminho, há reencarnações antes e depois da morte. Todo e qualquer vivente carregaria consigo vidas passadas e futuras.

VIDA ÚNICA

Quando nos vemos mais próximos da fragilidade da vida, seja em nós mesmos ou em alguém das nossas relações sociais, a noção de que a vida é única, nos leva, em geral, a avaliar a trajetória e o presente daquela pessoa. Nada mais representativo que a história de vida para se saber se houve ou não uma “vida bem vivida”. No entanto, é ilusório pensarmos que temos controle sobre isso. O “julgamento” é da psique e não do mundo exterior.

REENCARNAÇÃO

Já a percepção da vida “atual” como parte de uma longa sequência de encarnações, nos projeta muito mais para a dimensão da imaginação e do imaginário. Se os males deste mundo, inclusive a própria morte, refletem atitudes de vidas passadas, não existe caminho para um julgamento que se pretende final. Diante da impossibilidade de demonstrar empiricamente a existência de vidas passadas, temos a riqueza poética para construirmos o sentido da finitude daquela vida específica.

O QUE É MELHOR?

É muito difícil encontrar melhor ou pior caminho para se pensar a morte para o outro, que não eu mesmo. Não existe uma “hierarquia natural” entre estes pensamentos sobre a morte. Se a reencarnação é melhor para o espiritismo cristão, a vida é única é melhor, por exemplo, para a maioria dos outros cristianismos. Saber o que é melhor passa por uma avaliação da intimidade que vai no coração de cada um e na Alma dos grupos familiares e sociais.

E A TERCEIRA VIA?

Fora das duas nações anteriores, está aquela que considera que a vida é apenas biológica e que sua finitude com a morte é simplesmente total. Após a vida, o nada. Esta percepção biológica do mundo é tão válida quanto qualquer uma, mas implica na necessidade de uma sólida convicção para não promover o desespero, que é um mitologema comum em nosso tempo, onde aparece com o nome de depressão. Respeitando todas as três vias como válidas, deixamos o tema em aberto para a meditação de cada um e de todos.

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