É A RELIGIÃO?

Também é, mas não é só ela e ela não é o fator principal. A crise afegã, assim chamada pelo Ocidente, é, na verdade, a história afegã. O Afeganistão fica a meio caminho entre três “mundos”: o Ocidente cristão, o Oriente Médio muçulmano e a Ásia. Milenarmente, e local de disputas e de troca recorrente das hegemonias culturais e históricas. Rotas comerciais e militares passam obrigatoriamente por lá. Onde fica a religião nisso tudo?

O LUGAR DA RELIGIÃO

Principal amálgama constituinte dos eufemismos culturais que fazem a história do mundo até o advento da matiz iluminista, a religião não costuma ter a hegemonia das determinantes históricas. O islamismo do Talibã sequer representa grupo hegemônico no Islão. Os talibãs se destacam pela defesa do território afegão contra invasores russos e norte-americanos há décadas. Seus valores religiosos funcionam como uma ideologia política e social para combater a norma atividade aparentemente democrática trazida pelos invasores.

QUEM APÓIA O TALIBÃ?

Parte das instituições talibãs tem sede no conturbado território paquistanês. O Paquistão tem uma relação de aproximação e distanciamento cíclicos com o imperialismo norte-americano. Para os Estados Unidos e para a Rússia, o Afeganistão é estratégico. Os americanos esperam compensar ali as influências do Irã e da China. Comunidades afegãs, muitas vezes culturalmente tradicionais islâmicas, socialmente oprimidas, aceitam o radicalismo talibã como a única força capaz de governar autenticamente a vida afegã. Porém, a maior parte da população do país parece preferir um modelo republicano de tipo ocidental com singularidades afegãs.

E AGORA?

Agora, virá a imposição de duros preceitos morais típicos deste grupo político com as tentativas internacionais de alguma negociação. Os Estados Unidos da América começaram tudo isso ao invadir o país. Agora, saíram de lá apressadamente e de forma questionável. Caberia à Comunidade Internacional e à mídia global, ambas aparentemente centradas na questão religiosa e moral até agora, uma dura cobrança ao governo Biden para que financie uma ajuda humanitária significativa e a retirada dos que se consideram oprimidos – principalmente mulheres e meninas – pelo “novo” regime (re)instalado. Contudo, é duvidoso que isto seja feito…

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