ALÉM DOS PORTÕES DA ACADEMIA

Quando o colega historiador, Mestre da minha geração de historiadores, José Nivaldo Júnior me convidou para uma coluna no jornal O Poder, além de me sentir extremamente honrado, eu vi no convite mais uma oportunidade de falar para a sociedade como um todo. É natural que a vida acadêmica tenha uma certa reserva para concentrar-se no estudo e no desenvolvimento da ciência, mas também é natural que ela tenha diálogo e divulgação para a sociedade! Uma vez no jornal, tive a satisfação de encontrar como editor este representativo jornalista Antônio Magalhães, do qual sou aprendiz. Recentemente, tive o privilégio de ampliar a publicação desta coluna no site do Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso, FONAPER, do qual faço parte com imenso orgulho e ao qual agradeço a generosidade da publicação.

DIVERSIDADE RELIGIOSA?

Nas primeiras vezes, anos atrás, em que me referi à noção de Diversidade Religiosa para meios de comunicação, ouvi uma pergunta natural: o que é isso? Aos poucos, semestre após semestre, fui desenvolvendo formatos didáticos para explicar socialmente esta noção dos Direitos Humanos. Com certeza, é algo muito mais fácil de se explicar do que de se praticar, mas guardo uma pontinha de orgulho por ter sido e continuar sendo uma fração dos esforços acadêmicos para difundir a Diversidade Religiosa como um ato civilizacional positivo.

UM ANO N’O PODER

Na semana passada, ao salvar o arquivo da coluna anterior, notei que no dia 6 de agosto completou-se um ano da publicação da primeira coluna. Penso que isso vale um balanço, como me sugeriu o Antônio Magalhães. Considero que a contribuição desta coluna está, em primeiro lugar, em divulgar o tema para os fazedores de opinião na política e na sociedade como um todo que estão em 30 mil assinantes deste jovem e inovador jornal. Em segundo lugar, avalio que o mérito, se existe, está em debater de forma franca e crítica tanto as mazelas das instituições religiosas na história, quanto as suas ações, narrativas míticas, fenômenos e arquétipos de Esperança.

CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES

Outro aspecto que julgo um tanto inovador é a divulgação dá ainda pouco conhecida área de Ciências das Religiões para uma sociedade que vive momentos difíceis de nítido avanço do  fundamentalismo religioso, da negação da ciência e de crescimento da intolerância religiosa. Se há uma militância nesta coluna, ela não é partidária, mas toma um outro partido, o partido dos atos civilizacionais e da razão científica.

ENSINO RELIGIOSO

Também avalio que este é um espaço muito importante para tratar de uma disciplina escolar – por sinal, único componente curricular que consta da Constituição Brasileira de 1988 – que sofre um estigma injusto em decorrência do uso catequético dela em algumas escolas. A lei brasileira já prevê há décadas que o Ensino Religioso seja plural, cidadão e laico. E mais: desde dezembro de 2018, em resolução do Ministério da Educação, as Ciências das Religiões são, obrigatoriamente, a base deste componente curricular para o chão da escola. Poder divulgar isso para a Sociedade Civil nestes modestos textos  que escrevo aqui, é, para mim, um dever de cidadania.

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