Foto: ANDREAS SOLARO / AFP

FRANCISCO REVOLUCIONÁRIO

Se há uma revolução indispensável para o cristianismo dos nossos dias e se realmente ainda é possível um outro cristianismo, baseado no Rabi Jesus e não nas imposições clericais criadas ao longo dos séculos…, Francisco estará conduzindo uma nova Reforma. Com uma estratégia de risco calculado, o Papa jesuíta tenta isolar os reacionários que orbitam em torno do renunciante Ratzinger, orquestrador da minoria conservadora.

O QUE NÃO É

Francisco sabe muito bem o que não é e não deve ser este movimento. Suas próprias palavras definem o que não deve ser um Sínodo. Não pode ser “um evento extraordinário, mas de fachada”. Também não deve ser “um grupo de estudos, com intervenções cultas, mas alheias aos problemas da Igreja e aos males do mundo”. Como bom jesuíta que é, o Papa argentino é um homem de ação que quer ver resultados práticos capazes de revitalizar a Igreja.

O QUE É

Já na recente abertura do Sínodo sobre a Sinodalidade, Francisco perguntou:. “Estamos prontos para a aventura do caminho ou, temerosos face ao desconhecido, preferimos refugiar-nos nas desculpas ‘não adianta’ ou ‘sempre se fez assim’?” Parece que a Igreja precisava de um papa latino-americano, conhecedor das tais “mazelas do mundo”, para olhar-se no espelho com a sinceridade que Carl Jung chamou de Trajeto da Alma. Neste caminho, a coragem permitirá ver o que há de bom e o que há de ruim…

URBI ET ORBI

Ao final do ano, no Natal, mas também na Páscoa, o mundo todo deve, em princípio, escutar a palavra emitida pelo bispo de Roma para a sua cidade e para o mundo (URBI ET ORBI). Este ousado passo do Papa Francisco talvez faça a Igreja Católica retomar o seu papel de indutora de uma espiritualidade profunda, que marcou sua presença do primeiro milênio da sua existência, apesar das suas famosas contradições no apoio aos césares deste mundo. Que assim seja!

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