SER OU NÃO SER

Falou de vida ou de morte, falou de religião ou de conjunto de crenças. Aliás, ao ponto que o debate sobre ser ou não ser uma pessoa religiosa avança numa sociedade cada vez mais e liberta das proibições clericais, ocidente cristão, incluído nele o Brasil, assistir a um empobrecimento do conteúdo debatido. Se compararmos o debate de hoje com o que ocorria nos anos 70 e 80 do século XX, vemos que o conteúdo era mais filosófico e menos determinado por um certo empirismo tosco sobre o que é e o que não é verdade.

A DOR

Não tenho a menor dúvida e nem me sinto intimidado ao admitir que o fenômeno religioso é uma forma de enfrentar as dores do mundo através da espiritualidade. A arte, a própria política, a filosofia e a história também o são, mesmo que não pareça que são. Existem muitas espiritualidades possíveis, com ou sem vivência religiosa. Porém, pela determinante cultural e pelo envolvimento psicológico, as espiritualidades de base religiosa costumam ser mais intensas e desejadas.

DIRETO AO PONTO

Foi preciso este pequeno preâmbulo acima para chegarmos ao ponto desta pequena conversa: a crença na vida após a morte em nossa cultura ocidental e cristã está diretamente ligada, para a imensa maioria das pessoas, à adesão ou não a um pensamento/conhecimento religioso. Tento ver esta temática a partir da psique. Importante mesmo é saber se existe mais ou menos dor em acreditar ou não, por exemplo, que nossos entes queridos permanecem de alguma forma “vivos” em outra dimensão. Afinal, é para lá que nós também vamos.

MORREU, ACABOU

Nenhuma percepção humana é mais difícil de aceitar do que a simples morte biológica do corpo. No entanto, há conjuntos de crença que convivem muito bem com esta constatação encantando a vida por ela mesma. Já outros, podem promover a destruição da Esperança se reduzirem suas profecias e convicções há uma finitude total da vida com o encerramento do ciclo biológico do corpo. A reencarnação, a comunicação com os mortos e a espera de um paraíso após um juízo final, são os principais componentes simbólicos desta tensão permanente que é o desafio de oferecer sentido à morte.

MORREU, RENASCEU

Foi o próprio Rabi Jesus que nos trouxe culturalmente a expectativa da vida eterna. As demais religiões de livro revelado seguem caminhos parecidos. A reencarnação e/ou o diálogo com aqueles que já morreram e que são nossos ancestrais são mitologemas de outras tradições, como os diversos espiritistas e as Religiões dos Orixás. O Brasil apresenta uma rica sincronicidade entre estas grandes tradições. O brasileiro cristão não se sente impedido de acreditar na reencarnação. Portanto, qualquer que seja a resposta para a pergunta que é título deste artigo, devemos buscar em nossa própria cultura, os sistemas simbólicos que preenchem nossos corações de alguma forma…

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