Um dos temas mais fascinantes da história das religiões, a reencarnação está presente em muitas cosmogonias, institucionais ou não. Existe a noção do reencarnacionismo no Espiritismo kardecista, como também existe, por exemplo, na esotérica Ordem Rosa Cruz Amorc. A convicção de que esta vida é uma passagem de um plano anterior para um plano posterior a ela, reconforta corações diante da morte inelutável. A reencarnação ganha uma espécie de sentido iniciático e a vida é a sua provação…

ALÉM DO HORIZONTE

Não foi apenas a canção popular de Roberto Carlos que buscou oferecer um mundo “além do horizonte” visível ou tangível. No século XIX, século de tantas proezas da Razão, o ocidente cristão “descobriu” a possibilidade da existência de espíritos à nossa volta. Em busca de contato com tais espíritos possíveis, muitos esforços foram e até hoje são feitos para encontrar uma linguagem – ou várias – que unam este mundo material a um mundo espiritual em outra dimensão.

FENÔMENO ESPÍRITA

Duas dimensões fenomenológicas são perceptíveis social e teologicamente desde o advento do que os adeptos costumam chamar de “ciência espírita”. (Penso que eu nem precisaria dizer que a ciência acadêmica não aceita o espiritismo como parte dela.) Ao tentar sistematizar metodologicamente os contatos com espíritos daqueles que já morreram, o espiritismo julga fazer ciência. A força desta ideia gerou um outro fenômeno: o sociológico.

ESPIRITISMO PÚBLICO

Na França da época, no auge do reinado do materialismo positivista, o pensamento de Allan Kardec veio como um sopro de ar puro para muitos dos que se sentiram sufocados pelo racionalismo exacerbado. Kardec ofereceu-lhes um mundo metafísico diferente daquele que o tradicional clero cristão oferecia. E mais: ele criou uma filosofia que se pretende compatível com os métodos positivistas e até repete a lógica evolucionista daquela corrente francesa da filosofia moderna. Isto foi a senha para trazer adeptos que não se envergonhariam de assumir publicamente o espiritismo.

PERSEGUIÇÃO E VITÓRIA

O kardecismo e seu fundador, no entanto, foram, mesmo assim, duramente perseguidos, principalmente pelo clero cristão. No Brasil, país onde o movimento espírita é o mais forte do mundo, a Igreja Católica e diversas igrejas evangélicas reagiram e reagem contra o espiritismo e a reencarnação. O mais popular líder espírita brasileiro, Chico Xavier, começou sendo recusado pela própria família e acabou despertando a ira “santa” de alguns clérigos que ainda o denunciam, daquela época até hoje, como um charlatão. Mesmo assim, a noção espírita de reencarnação prosperou fortemente no país e hoje faz parte da nossa cultura religiosa com destaque!

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