DOIS CENTENÁRIOS

O Paulo bíblico, inspirador do nome de tantos Paulos entre nós, nos remete a dois Paulos brasileiros que estão fazendo centenário este ano: Paulo Freire e Paulo Arns. Do discípulo, todos podemos beber as lições de coragem, vida e amor. Foi dele que veio a ênfase da importância de saber disseminar a Palavra para todxs, indistintamente, pelos meios que forem possíveis, como cartas, por exemplo. A mesma Palavra esteve sempre no coração e nas ações de Freire e de Arns.

DOM ARNS

Cardeal da Esperança, Dom Paulo Evaristo Arma faria 100 anos em 2021. Notabilizou-se por suas ações em defesa dos perseguidos injustamente pela Ditadura Militar (1964/1985) e por sua atuação em favor dos pobres e excluídos. Considero que o melhor exemplo para definir este Paulo, é a sua ação pelos Direitos hum Humanos. Destaco a coragem dele ao celebrar missa para uma multidão, juntamente com representantes de outras religiões e igrejas (!), quando do assassinato, nas dependências sombrias do DOI-CODI, do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado. Contra a vontade da Ditadura, Arns convocou o povo, lotou o templo e rogou a Deus e aos homens por Justiça e por Paz.

O EDUCADOR

A presença do discípulo Paulo na trajetória de Paulo Freire, é, muitas vezes, apresentada de forma pouco destacada. Freire já era um cristão antes de tornar-se um educador. Caminhou a vida toda tendo o cristianismo como parâmetro. Basta um exemplo para perceber isso: exilado do regime militar, Paulo Freire recebeu dois convites e fixou-se em um deles por uma década. Foi convidado para uma universidade de renome e também para um departamento do Conselho Mundial de Igrejas. Passou alguns meses na importante universidade, mas seguiu para o CMI, onde fará um profícuo trabalho pela educação. O CMI é um grande esforço inter-religioso para aproximar igrejas cristãs diversas.

A PEDAGOGIA E A TEOLOGIA

A Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire busca libertar o homem através do aprendizado da palavra lida, aparentemente frágil, no sentido de sua libertação interior, motor para buscar um mundo melhor. Foi erguida e consolidada concomitantemente com a Teologia da Libertação. São primas! Estão no contorno do cristianismo como Filosofia de Vida e como forma de encarar a dureza da história, típico da contemporaneidade. Convergem para a mesma Libertação!

JESUS E KARL

Paulo Freire e Paulo Arns, buscaram ver o mundo desde a janela do carpinteiro Jesus. Na caminhada, encontraram no mundo o pensamento crítico e autocrítico de Karl Marx. Já expusemos aqui nesta coluna, em artigo recente, a proximidade do marxismo com o cristianismo, pela confluência entre a Promessa de Jesus e a destinação do homem para o socialismo. Estes dois Paulos – Freire mais que Arns, é verdade! – buscaram nos mostrar, de alguma forma, que o pensamento do Rabi Jesus trata da mesma Esperança de libertação que encontramos nas principais linhas do pensamento socialista. Jesus segue pela via do coração, que está muito bem representada na alfabetização libertadora!

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