ÉTICA PROTESTANTE

Se você gosta de ciência, leia este artigo! Max Weber foi, sem dúvida, um dos sistematizadores dos principais métodos para os estudos científicos das religiões. Ficou mais famoso pelo seu clássico A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, o livro do século 20 que mais influenciou as Ciências Humanas. Nele, o mestre alemão colocou em prática a base da sua metodologia para as Ciências Sociais: (1º) definir um Problema para o conhecimento científico e (2º) estabelecer uma Hipótese válida para resolvê-lo.

O PROBLEMA

O grande problema histórico para Max Weber era responder uma questão: como o Ocidente Cristão, que era a civilização mais atrasada ao final da Idade Média, tinha tornado-se a civilização hegemônica, submetendo o Oriente Islâmico e o “mundo chinês”?? Para ele, a transformação do lucro em algo moralmente válido, foi o diferencial cultural que construiu o Capitalismo Moderno e a hegemonia cristã. A Reforma Protestante foi o fator indutor desta imensa inflexão cultural.

A HIPÓTESE

O contexto histórico que expressou esta espécie de santificação do lucro, deveu-se, principalmente, à necessidade estratégico-teológica dos cristãos dissidentes do catolicismo ou opostos a ele se oporem aos preceitos católicos. A Igreja Católica era contra o excesso de lucro. Martinho Lutero iniciou a mudança de mentalidade ao propor que a noção de Vocação deveria valer para as atividades de trabalho não eclesiais. João Calvino completou a tarefa ao vincular o sucesso material à graça divina na vida do indivíduo. O caminho para o capitalismo estava aberto…

O TIPO IDEAL

Para explicar como as pessoas aderiram a esta nova mentalidade, Weber conceituou o tipo ideal de empreendedor protestante de vida ascética e disciplinada. A vida frugal, ou seja, com dinheiro, mas sem luxo, passou a ser algo admirável como demonstração de vida cristã. Este tipo ideal hegemonizou o capitalismo por menos de um século, mas foi o suficiente para permitir o capitalismo amoral dos dias de hoje.

OS VALORES

Os tipos ideais só são possíveis porque toda história humana é uma história da moral. Ou seja, todos os povos e grupos sociais vivem em torno de valores que consideram moralmente corretos. Uma sociedade humana baseada em valores que ela considere sinônimo do mal é impossível. Acreditar em valores do bem é uma forma eufêmica de enfrentar a finitude da vida. No caso, a frugalidade, a capacidade de trabalhar por horas a fio, a qualidade de bom poupador e a disciplina religiosa ascética para evitar os “prazeres do mundo” foram os valores para “fazer-passar-a-boiada” do capitalismo.

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