FOCO

Para considerar que um determinado adepto de uma religião não é um “praticante” dela, é preciso conhecer profundamente os rituais e o imaginário que compõem esta religião. Também é preciso saber se existe na religião dele uma variedade de perfis com diversas formas de adesão. O foco científico é o grande desafio, pois atos íntimos escapam ao escopo de “prática”, como orar, fazer promessas, aderir a condutas e valores, etc

CATÓLICO NÃO PRATICANTE?

É muito comum ouvir-se referência a um tipo de católico que seria não praticante por não frequentar missas e outros rituais católicos romanos oficiais. Este dado é importante para o clero católico, que deve zelar pela boa frequência dos fiéis. Porém, não é um dado central para compreendermos o campo religioso brasileiro e a hegemonia católica ainda existente. É que ocorre uma adesão interior, de foro íntimo, que não é passível de levantamento estatístico.

HIBRIDISMO

Além de ser possível seguir a maioria das religiões de maneira pessoal, íntima e privada sem precisar frequentar templos e ritos, o Brasil ainda possui um grande índice de hibridismo religioso.  Ou seja, milhões de brasileiros seguem mais de uma religião ao mesmo tempo. É até possível parecer ser o tal “católico praticante” e frequentar concomitantemente o espiritismo ou o candomblé, por exemplo. Neste caso, o fato de ser um praticante frequente invalida o pressuposto de que a prática aumenta a adesão.

DE QUE SERVE O DADO?

Em outras palavras, pesquisar prática religiosa no Brasil passa pelo levantamento de quantas e quais religiões cada indivíduo considera como suas… O tabu social vai levar a maioria a dizer que segue apenas uma. A pesquisa precisa ser metodologicamente acertada para chegar a esta multiplicidade de adesões, que é muito mais comum do que possa parecer. Aí, ter-se-ia um levantamento muito mais rico do que aquele que é feito pelo censo nacional oficial.

VAI DO CORAÇÃO

Se podemos falar em uma adesão verdadeira, é aquela que ocorre no coração da pessoa religiosa. Lá, no íntimo da alma, é  onde vive o mistério que cada um carrega dos eufemismos – deístas ou não, diga-se! – que permitem viver com Esperança. Este mistério permanece inacessível aos métodos científicos. Daí, o estudo das religiões ser tão fascinante!

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