O principal preceito do Deus de Abraão para a Salvação da Alma é o reconhecimento da falta. No cristianismo, este reconhecimento atende pelo nome de confissão. A confissão deve vir juntamente com o perdão, o que transforma ambos em irmãos siameses. Quando a ciência ocidental resolveu secularizar o procedimento da Salvação com a criação das psicologias e da psicanálise, foi culturalmente inevitável reproduzir na ciência a enraizada expectativa da fé. Retirada a Graça de Deus, a ciência luta com dificuldades para salvar as almas, mas não as enxerga. Vê Ego e Inconsciente, mas nega Deus.

CONFISSÃO OU LUZ?

É claro que a maioria dos terapeutas não aceitará a percepção histórica da aproximação de mentalidades entre suas ciências e a religião. Isso, porém, não muda o processo histórico. No mundo culturalmente cristão, a maior parte das terapias trata do enfrentamento da própria sombra com a revelação dela pelo paciente através da palavra. Existe outro caminho para se compreender a própria sombra, que é, grosso modo, a intensificação da própria Luz. Este caminho, porém, só é mais comum no oriente asiático.

CUIDADO ESPIRITUAL

O contexto das práticas de apoio psicológico contemporâneas precisa ser levado em conta para compreendermos o nó espiritual em que nos metemos. Ao mesmo tempo que trocamos o sentido da vida saindo dos arquétipos metafísicos para os arquétipos do futuro material, tornamos ou pensamos que tornamos a prosperidade individual uma substituição do Paraíso. Weber chamou esse processo de desencantamento do mundo. O termo é muito bom, pois é difícil encantar o mundo e a vida sem o apoio terapêutico das imagens metafísicas. Criamos um mundo faminto de Cuidado Espiritual.

A TENTAÇÃO DA FORÇA

Do vazio, decorre a impossibilidade de conhecer-se e perdoar-se. A psique humana não pode encontrar algum equilíbrio sem conhecimento e perdão. O perdão implica no esquecimento e na ressignificação, consciente ou não, do mal e da culpa. As religiões diversas têm caminhos diversos para oferecer aos que buscam esta sabedoria e abdicam da vingança e da força como forma de “ajeitar o mundo”. Isso vale para os indivíduos, mas também para as sociedades e grupos sociais. O desencantamento trava esta sabedoria, mas pode converter-se em outra…

NOVOS EUFEMISMOS

O ocidente contemporâneo clama, na dor coletiva das nossas nações, por novas formas de eufemismo que possam substituir adequadamente o vínculo entre tal sabedoria e a transcendência do Deus de Abraão. Uma outra transcendência é possível, com ou sem Deus, mas qual? O desafio de nos reinventarmos não passa somente pelas relações materiais, mas também por uma Ecologia do Sagrado… Ou seja, um olhar ecológico esperançoso para uma natureza não material, que é a natureza de Deus, dos Deuses e das Deusas!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.